AS CURANDEIRAS DA ALMA
Por: Claudia Stadolny
Quando iniciei minha jornada pela espiritualidade, vivi um tempo de profundos encontros. De um lado, a criação das minhas joias botânicas. Do outro, os estudos da Ayurveda e o mergulho nos Oráculos.
Foi um despertar...
Entre baralhos, cristais, sementes e essências, meus sentidos se ampliaram, e meu olhar sobre a natureza se transformou.
Para seguir esse chamado, precisei pausar a criação na Maria das Candongas. Era tempo de estudar, de ouvir e de aprender. A Ayurveda fortaleceu meu caminho, e os Oráculos me ensinaram a escutar aquilo que nem sempre pode ser dito em palavras, e foi nesse percurso que encontrei as Curandeiras, mulheres que, muito antes de nós, conheciam a linguagem das plantas, das raízes, das sementes e dos ciclos da Terra. Preparavam pomadas, chás, banhos, unguentos e remédios naturais. Curavam o corpo, mas também acolhiam a alma daqueles que buscavam seus cuidados.
Percebi que, de alguma forma, eu também estava seguindo essa linhagem. Não porque curasse com ervas, mas porque minhas mãos continuavam transformando aquilo que a natureza oferecia em algo capaz de tocar as pessoas.
Cada semente utilizada em minhas criações nasceu de uma árvore ou de uma palmeira. Cresceu, amadureceu, cumpriu seu ciclo e retornou naturalmente à terra. Antes de reencontrar Gaia, ela passa por minhas mãos e inicia uma nova travessia.
Transforma-se em memória. Transforma-se em obra.
Foi desse encontro entre a natureza, os Oráculos, a Ayurveda e a sabedoria ancestral das Curandeiras que nasceu esta coleção.
Curandeiras da Alma.
Uma coleção que celebra mulheres, ciclos, ancestralidade e transformação.
A Maria das Candongas percorre esse caminho há mais de duas décadas. Ao olhar para trás, percebo que cada obra foi necessária para que eu chegasse até aqui. Hoje, não vejo apenas uma evolução técnica. Vejo uma transformação interior.
Cada criação carrega um pouco mais da minha história, da minha pesquisa e da minha essência.
Cada obra desta coleção nasce para encontrar outra mulher em seu caminho. Uma mulher que também atravessou transformações, que guarda suas próprias memórias e que reconhece, na natureza, um espelho de sua própria força. Quando uma obra encontra sua Candongueira, a criação se completa.
Talvez seja por isso que esta coleção represente um novo começo. Não porque deixei de ser quem era... mas porque floresci.
"A natureza nunca tem pressa. Ainda assim, tudo floresce no tempo certo."
Assim também floresce a Maria das Candongas, respeitando cada ciclo da roda, cada estação da vida e cada semente que encontra o caminho para voltar a florescer.

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